Um arquivo da Polícia Federal enviado ao STF revela um contrato de advocacia de R$ 427 milhões relacionado a Daniel Vorcaro, ex-dono do Banco Master.
O contrato de advocacia está condicionado ao êxito em ações que poderiam destravar cerca de R$ 8,5 bilhões em precatórios. As mensagens analisadas pela PF identificam o ministro Kassio Nunes Marques como "KN", e assessores de Vorcaro referiam-se a Newton Ramos, do TRF-1, como parte da "Turma do KN".
O material foi enviado ao gabinete do ministro André Mendonça, relator do caso, em julho. Cristiano Zanin, Flávio Dino e Gilmar Mendes solicitaram acesso aos documentos após questionamentos sobre o conteúdo. Mendonça nega ter direcionado a investigação.
“É um excelente voto do Min. Nunes Marques…”
— Camilla Ramos, advogada
As mensagens indicam que Newton Ramos teria repassado a Vorcaro pedidos atribuídos a Kassio Nunes Marques, incluindo uma solicitação de hospedagem no hotel Fasano. Vorcaro respondeu que poderia arcar com os custos.
Além disso, o material discute um julgamento sobre precatórios de usinas de cana-de-açúcar, onde Nunes Marques, Dias Toffoli e Edson Fachin votaram a favor do reconhecimento do débito, enquanto Gilmar Mendes e André Mendonça foram vencidos.
Camilla Ramos, advogada e esposa de Newton Ramos, celebrou o voto de Nunes Marques em mensagem a Vorcaro, destacando-o como um "excelente voto". Nunes Marques, por sua vez, afirmou que o julgamento não se referia especificamente ao Banco Master e negou ter votado a favor da instituição.