Uma perícia contratada pela produtora Go Up Entertainment revelou que R$ 54,08 milhões, cerca de 72% do total gasto na produção do filme Dark Horse, foram desembolsados nos Estados Unidos.
O laudo, entregue em junho à Polícia Civil de São Paulo, investiga o financiamento do longa-metragem sobre o ex-presidente Jair Bolsonaro. De acordo com o documento, 100% dos recursos utilizados na produção vieram da Havengate Development Fund LP, sem identificação dos investidores.
Nos Estados Unidos, os gastos incluíram desenvolvimento do projeto, pré-produção, filmagens e pós-produção. No Brasil, foram desembolsados R$ 20,92 milhões, sendo R$ 18,47 milhões, ou 88,29% do total, movimentados via Pix, e R$ 2,34 milhões pagos por boleto.
“A movimentação do filme acontece em conta exclusiva para a finalidade da obra”
— Anisio Castelo Branco, perito
A perícia também analisou uma possível relação entre os recursos do filme e projetos do Instituto Conhecer Brasil, ONG ligada à empresária Karina Ferreira da Gama, dona da Go Up. O instituto possui contrato com a Prefeitura de São Paulo para instalação de pontos de Wi-Fi em comunidades.
Segundo o perito Anisio Castelo Branco, não foram identificadas transferências entre os recursos do filme e projetos públicos da ONG. "A movimentação do filme acontece em conta exclusiva para a finalidade da obra", afirmou à CNN Brasil.
A investigação busca rastrear cerca de R$ 61 milhões que teriam sido repassados pelo ex-banqueiro Daniel Vorcaro para financiar o longa, além de verificar possíveis irregularidades relacionadas ao senador Flávio Bolsonaro. Na quarta-feira (26), a Polícia Federal recebeu dados apreendidos pela Polícia Civil.